Estou cansado…
Cansei-me de esperar algo de bom
das pessoas, muito embora, sempre lhes tenha dado o benefício da dúvida. Toda a
minha vida, fui constantemente apontado pelos meus erros e que com eles as
pessoas fazerem de mim aquilo que eu sou, inseguro, solitário e um homem de
poucos afectos, efectivamente, alguém a quem a revolta, moldou frio e calculista.
A falta de reconhecimento pelas minhas tentativas de melhorar com os meus erros
levaram-me constantemente, por defeito, a errar de novo tal a busca pela
perfeição.
As agressões, somente fizeram com
que cada vez mais eu somente viesse a desacreditar que era e sou, somente um
homem com direito a errar. Com isso, acabei uma máquina à qual nem eu permito
errar. Estou realmente muito cansado da hipocrisia e dos que politicamente
correctos se escondem por detrás de mascaras e enfeites quando na verdade, nada
mais são do que seres telecomandados em suas vidrinhas inúteis, rotineiras e já gastas.
Cansei-me de gritar e de castigar o meu corpo, por conseguinte sequei a minhas
bolsas lacrimais e as minhas emoções.
Sei e me confesso, não ser o
melhor homem do mundo nem ter sequer o direito a aspirar a tal, mas tenho a
certeza e a convicção, de que a minha vida teria sido muito mais fácil se na
minha busca incessante por agradar eu tivesse sido mais selectivo nos meus
relacionamentos. Ser o homem dócil, prestável e sempre pronto a agradar, somente
fez de mim o animal a caminho do matadouro. Só a minha força na recusa e a
grande determinação me salvou da morte em vida mas não evitou a morte dos
sentimentos.
Estou cansado e suplico: Não me
façam favores, apenas reconheçam que eu sou o que naturalmente esta vida e
todos o que me foram sustentando nela, fizeram de mim, corrijam os meus erros
mas reconheçam, no mínimo a vontade acérrima com que tento não errar.
Paulo Figueiredo (In Vitro, projecto para o novo blogue que irá substituir "Ao (re) encontro de mim" 04/03/2014)
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