RADIO ATALTIC SEA

domingo, 5 de janeiro de 2014

Falar-te de mim


Hoje quero falar-te da dor incubada em todos os meus poros.
Não quero usar de lógica nem de coerência…
Quero falar-te dos ontem(s) obscurecidos pela névoa que me rouba o ar
Quero falar-te do meu amanhã, de uma realidade insólita que gravita fora de órbita.
Quero falar-te das duvidas semeadas no meu sangue quente e tão vermelho como o teu.
E da âncora que esta presa nas minhas artérias, rasgando-me as certezas incertas.
Quero falar-te de um sol que se deita na minha alma e me queima a sanidade e serenidade
Quero falar-te dos meus pés cançados mas que semeiam flores.
Quero falar-te do meu chão árido, dos meus tropeços, dos meus passos que deixaram marcas no caminho
Quero falar-te dos meus braços estendidos na imensidão de um talvez, ou não !!
Dos meus lábios desertos aridos de beijos, quero falar-te.
Quero falar-te das tristezas (in)trançadas no meu cabelo grisálho que um dia foi louro,
Quero falar-te dos meus sonhos que embrulho em mortalhas de fino linho.
Quero falar-te de todos os meus gritos perdidos na multidão e dos fantasmas presos no meu porão
Quero falar-te das sombras que me observam e riem de mim
Quero falar-te de vida com vestes de cetim que beija o sentimento
Quero falar-te dos meus entre tantos, dos meus entre meios, dos meus entre outros
Quero falar-te de um lugar perdido dentro de mim que jamais irei encontrar.
Quero falar-te das minhas pedras no sapato, na alma e na garganta.
Da indiferença com a qual ja me habituei !
Quero falar-te de silêncios sublimes que me afloram os tímpanos
Quero falar-te de meus erros sem consertos e dos consertos dos meus erros.
Quero falar de um eco de renuncia que ecoa em meus sussurros, gritos e sonhos
Quero falar-te dos rios que correm em mim e deságuam em ti
Quero falar-te de um naufrágio no qual morri afogado em loucura e medo
Afinal…
Quero somente falar-te de mim !!!
P.F.

Basta...


- Basta...

Não vou querer mais iludir e enganar o meu coracao. Hoje e aqui deixo a promessa de que não voltarei a medo de sair com dor, ferido de sofrer e de me entregar. Sinto grande vontade de viver. Quero procurar e encontrar o que ainda não tenho e que tanta falta me faz,
- Basta... 
Nao vou voltar a fingir que nao percebo e entendo os sinais do meu corpo ou que nao sinto meu coracao a bater tao forte que se me assoma a sensação de que vai saltar do meu peito. Não posso e não nego que sinto o suor frio nas minhas mãos e agarganta seca. Não... Não vou negar que os meus dedos tremem e não conseguem firmeza para segurar como no passado, a caneta no papel e assim a minha letra sai tremida.
- Basta...
Nao vou voltar a segurar meu choro e sequer voltar a esconder as lágrimas que insistem em correr marcando sulcos no meu rosto demasiado cansado
- Basta...
Nao vou jamais voltar a envergonhar de tudo o que sinto. Vou sair sem me aventurar e procurar o que de antemão sei que esta perdido em algum lugar da minha alma e apenas espera o exacto momento para ser encontrado.
- Basta...
Está na hora. Tenho sede de emocoes como nunca pensei ter um dia quero rir, chorar, correr, cair, levantar, tentar e com todas estas aprender. Quero poder olhar apra tras sem arrependimentos, sem ter vontade de voltar a construir de inicio a minha historia. Quero acreditar, estar certo de que fiz minha parte e que quando certo, voltaria a dizer cada palavra mas que quando errado admitir e aceitar ajuda.
- Basta...
Para quem não sabe, ou não quer saber, também dentro do meu peito bate um coração, endurecido, é certo, mas mesmo assim um coração que me diz para gritar:
- Basta !
Porque porque existe em mim uma vontade enorme de mudar e colocar em pratica as licões que aprendi a ferro e fogo somente porque esse coração foi aos poucos transformado numa pedra cinzenta e fria. Hoje entendo que nao preciso provar nada para ninguem porque ninguem me provou abslutamente coisa alguma... Hoje sei como sou errado e aceito... Sei que a luta é dificil e que estou sozinho mas tenho o querer e isso basta. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

2014



Este será o momento ideal para, com a entrada de um novo ano, eu repensar e (re)encontrar o que realmente é o mais importante para mim. Com a entrada de um espaço temporal que em ultima analise poderá e mais importante, deve ser, voltar-me a tempo inteiro não para o que se passou mas para o que se irá passar não nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias, mas tão somente, em cada momento, ao segundo !
Não quero ser sincero para quem me rodeia até porque não o poderei fazer se em primeiro lugar não o for para mim mesmo. Longe vão os tempos em que a minha escrita se direccionava para as quimeras baseadas na minha vida passada, experiência, intuição e um sem numero de armas que a mim, pouco me valeram neste percorrer descalço, por caminhos sinuosos que encheram de chagas, não os meus pés cansados mas o meu corpo.
Muitas tem sido as minhas batalhas nesta guerra que prevejo nunca acabar. Estou cansado é certo, mas também não tenho como me evadir e fazer-me desertor perante uma vida que somente é minha. Posso e devo ser "objector de consciência", mas somente isso!
Toda a tristeza que sinto por me julgarem sem que tenham um dia colocar nos pés os meus chinelos e percorrido e ou sentindo na pele, (e na alma), o que eu senti, terem comido do mesmo prato que eu comi, terem escalado ás mesmas montanhas que escalei, ou sequer terem sentido o sal das lágrimas que chorei. Sim, toda esta tristeza e angustia faz de mim, um soldado melhor mas não um herói.
Espero assim, neste ano que hoje começa, fazer com que cada segundo traga somente para mim as consequências dos meus actos.
Deixando aqui e agora, não a promessa mas o compromisso, de que a cada instante serei somente eu a verdadeira motivação de todas as minhas lutas.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

" Para Ti..."

Hoje vasculhando nas minhas memórias, encontrei, talvez por acaso uma carta que em tempos rabisquei num guardanapo
“Para ti...”.
Sim... Este era o destinatário. Muito sinceramente não recordo porque não ta enviei, talvez não quisesse ou simplesmente, não tive-se tido a coragem para juntamente com ela, passar a limpo o passado. Em óptimas letras garrafais eu te dizia: 
- “Acertei no caminho certo, não porque segui as seta mas porque não respeitei todas as placas de aviso”. 
Hoje ao reler esta misteriosa carta  acho curioso por nessa altura da minha vida, usar tal metáfora sem ao certo saber bem o que então te queria dizer com isto. Olhando bem, hoje e depois de repousar a vista e o coração sobre aquelas palavras eu percebo, quantas foram as coisas que eu escrevi para ti, quando na realidade queria não escrever mas dizê-las a mim próprio.
Jamais eu poderia ter chegado aonde cheguei, se é que já cheguei a algum lado, se somente tivesse andado em linha recta. Não, por demasiadas vezes tive que voltar para trás, muitas vezes até andar em círculos, perder dias, perder o rumo e o norte, perder a paciência e me desaurir em vãs tentativas aparentemente inúteis para encontrar um quase endereço ou quem sabe, uma provável ponte ou até uma estrada, mesmo que estreita e sinuosa, para te encontrar.
Por outro lado...
Hoje consigo ver que tu, ocupada com os teus mapas e bússola, demoraras-te em demasia e mesmo, com os sinais de fumo não percebeste e simplesmente... Não vieste.
A realidade, a solidão e a frustração ensinou-me a que devo intuir mais e caminhar, mesmo que descalço por caminhos que sejam certos, mesmo que espinhosos. Tento agora confiar nos passos que dou, aprendi com a dor a desconfiar dos atalhos.
Hoje quase que entendo porque eu me sentia do outro lado e  tão só, sem amparo e cego caminhava.
Hoje sou finalmente capaz de colocar a mão no peito e chorar a perda, sabendo que não posso voltar para trás...
- "Para ti..."
Tomou forma, nome e endereço e hoje decidi passar a limpo como forma de te pedir perdão, pois somente com ele poderei seguir em frente mesmo que algumas vezes tenha de recuar, lembrar e voltar a avançar, seguro e confiante.
-" Todos nós, nas nossas infindáveis caminhadas temos por vezes de dar um passo a trás para dar dois para a frente..."

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Redireccionando...

Ora então, para aqueles que estavam fartos de mim, tenho pena, mas hoje resolvi voltar. Não porque tenha saudades ou por simples”birra”, voltei hoje, porque a minha vontade de escrever se sobrepôs á preguiça e inércia instalada nestes dedos ociosos e já enferrujados, de nada fazer por uma escrita que em tempos já foi fácil.
Quando em 2004 escrevia textos do género “Pedaços de mim” ou “Crónicas de um pecado mortal” e com eles causava amores e ódios, aprendi que o ter cuidado com as palavras e ser “politicamente correcto”, não era o oceano calmo onde poderia nadar sem medo de ser engolido por uma mega-onda.
Hoje, e relembrando alguns comentários entendo que somente quem escreve fantasia e ou ficção sobrevive neste mundo das emoções/relações dos post e coments. Mas sabem…Melhor, querem saber o que eu penso a este respeito? 
Que tudo o que é escrito sem ser sentido somente tem a finalidade de mostrar para os outros precisamente o contrario do que somos na realidade.
Provavelmente, nos meus primeiros escritos, também eu entrei de cabeça nesse carrossel de falsas emoções e sabem… Em vez de engrandecer o meu ciclo restrito de amizades eu o diminuí porque fiquei hipócrita e convencido que o mundo e as pessoas giravam em meu redor.
Quando acordei para a realidade, e nunca é tarde demais para nada nesta vida, olhei em volta e posso afirmar com plena certeza que estava mais só que nunca.
Hoje, depois de ter desaparecido destas coisas das escritas para impressionar, muitas coisas poderia escrever para me justificar,mas não, sei que há fins que justificam os meios e não vou, nem quero faze-lo. Hoje…
É, hoje somente me deu vontade de dizer:

“Estas palavras que escrevo…”
Palavras…
Quer sejam as nossas ou as alheias, sempre causam efeito.
Agora eu pergunto-me…Pergunto-vos:
Que fazer com o que elas, as palavras, nos deixam dentro do peito?
-Tristezas… Alegrias… Ciúmes e até … Agonia.
Mas…A verdade, é que seja qual for o sentimento que deixem,
A verdade é que alteram o rumo do meu dia.
Volto a perguntar-me…A perguntar-vos:
-Como podem simples verbos, minúsculos adjectivos,
pronomes mais ou menos (im)pessoais e afins,
Como podem todos eles juntos, misturados ou sobrepostos,
Influenciar tanto as nossas vidas?
-Que estranho !!!
Que poder é este que simples palavras têm,
E que tanto mudam as coisas dentro de mim…De nós?
Escrever… É  a meu ver, montar um quebra-cabeças com palavras.
construir frases subordinadas, assindéticas.
Revelar assim, sujeitos ocultos, esconder determinantes e determinados.
E talvez contra-natura,transformar coisas passivas em activas.
-Refazer…Tentar, talvez em vão, mudar.
Ás vezes usar as palavras para abrir um coração, podem gerar conflitos.
Mas que fazer quando elas teimam em não se calar?
Usa a tua mente alia-a ao teu coração e deixem que voem livremente.
As palavras quando nos saem do fundo do peito
Sérias, verdadeiras servem para lavar a alma.
Então…
Neste momento, o que importa se a todos vão agradar.
Fica em paz, fica bem e com a plena certeza  de que elas irão cumprir sua função.
Porem arrisco um conselho:
-Certifiquem-se apenas que essas palavras vêm do coração.
E se mesmo com todo este processo, escrever se torna algo difícil,
deixa o silêncio reinar…
Porque dias há em que as palavras “emboladas” demoram a voltar para o lugar.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Incoerência?



Descobri que esperamos demais das pessoas e assim, é muito comum eu ter o mau hábito de projectar nos outros os erros que afinal são meus, refiro-me exactamente á idealização que fazemos de alguém somente por estar simplesmente encantado. O resultado é quase sempre a decepção, porque gostar de verdade e não da imagem que fazemos de alguém, exijo amor de verdade também, para aceitá-lo com todas as suas limitações, erros e até desamor.
Claro que o amor partilhado é uma festa, mas nem sempre é o que acontece, amor não é algo coerente, Nem sempre é entre nós e alguém. Mas a minha capacidade de amar independentemente de encontrar correspondência
exige muito de mim e coragem para me permitir analisar se as pessoas me magoam ou se muito simplesmente, permito a ser magoado por elas.
Todavia e evidentemente, não estou isento de culpas, mas culpas também têm aqueles que realmente as possuem, fazendo-se vítimas do seu jogo de ilusões deliberada. Enfim, eu prefiro ver o ser humano como uma caixinha de surpresas!
Até pode ser que um dia, aprenda com a desilusão e com a dor que inevitavelmente me leva a castigar a pessoa errada...
-Eu!


Beijos.

"O mais importante de tudo não é o que fizeram de ti, mas sim o que vais fazer, com o que de ti fizeram!"
(Jean Paul Sartre)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

...E Parti !


Para quê e porquê adiar o inadiável ?

E assim, depois de muito adiar, num dia como qualquer outro, decidi partir...
Decidi com a dor da derrota não esperar as migalhas que sobraram 
de uma relação condenada ao fracasso e que insisti em manter mesmo 
ferida de morte muito por "Mea culpa", sim... Eu mesmo Não tinha 
sequer o direito de fazer comigo o que fiz e muito menos com terceiros.
Decidi somente agora, ver e sentir cada momento como uma oportunidade de encontrar a solução.
Decidi acreditar que o deserto que eu próprio formei em torno da minha existência, se pode transformar num oásis.
Decidi ainda acreditar que cada noite de insónia que tenho é reflexo de clarividência e não de loucura emocional e culpa ou ainda um mistério para resolver, mas decidi ver e principalmente, permitir-me a acreditar que cada noite mal dormida antecede o ressurgir de um novo dia e com ele uma nova oportunidade de ser feliz. E no dia  da partida, descobri que meu único rival, afinal não eram mais do que as minhas próprias limitações e decidi enfrentá-las porque também acredito que somente assim devo conseguir superara-las. 
Naquele dia também, descobri com dor mas sem tristeza que eu não era o melhor, nem o mais forte e que muito provavelmente talvez...Nunca o tivesse sido.

-Deixei de me importar com quem ganha ou perde!

Agora o que me importa é simplesmente saber o melhor importa fazer.Contudo antes de partir, aprendi com todas as consequências que o difícil não é chegar ao topo mas sim, deixar de subir. Aprendi que o melhor triunfo que existe é poder chamar alguém de "amigo".
Descobri ainda que o amor é mais que um simples estado de paixão ardente, e que o amor é uma filosofia de vida. Naquele dia, deixei também de ser um simples reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser afinal uma ténue luz no presente. Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais!
Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos existem...
E assim...
Desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar!